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A História Antiga é um domínio de estudos que se estende desde o aparecimento da escrita cuneiforme (cerca de 4.000 a.C.) até a tomada do Império Romano do Ocidente pelos povos bárbaros (476 d.C.).
Índice |
Egito Antigo
O espaço geográfico
A região onde se iniciou o desenvolvimento da civilização egípcia está situada no nordeste da África, com seu antigo território cortado pelo grande rio Nilo (6.500 km e 6 cataratas), ladeado por dois desertos (deserto da Líbia e da Arábia). Ao norte, o Mar Mediterrâneo favorecia a navegação e o comércio com outros povos. A leste, o Mar Vermelho, outra via de comunicação.
Vale do rio Nilo
O rio Nilo era a fonte de vida do povo egípcio, que vivia basicamente da agricultura.
De junho a setembro, no período das cheias, as fortes chuvas inundavam o rio; este transbordava e cobria grandes extensões de terras que o margeavam. Essas águas fertilizavam o solo com a matéria orgânica que traziam, que se transformava em fertilizante de primeira qualidade.
Além de fertilizar o solo, o rio trazia grande quantidade de peixes e dava chances a milhares de barcos que navegavam sobre as águas fluviais.
Para o povo egípcio era uma verdadeira benção dos deuses. Aliás, o próprio rio era tido como sagrado. Mas para o Egito não era apenas um presente da natureza. Havia necessidade da inteligência, do trabalho, da aplicação e da organização dos homens. No tempo da estiagem, num trabalho de união de forças e de conjunto, os egípcios aproveitaram as águas do rio para levar a irrigação até terras mais distantes ou construir diques para controlar as cheias, protegendo o vale contra essas catástrofes terríveis.
Com as cheias, desapareciam as divisas das propriedades agrícolas. Assim, todos os anos era necessário o trabalho do homem para medir, calcular, e isso ocasionou o desenvolvimento da geometria e da matemática.
Esse esforço comum e a unidade geográfica facilitaram um governo único e centralizador.
Períodos históricos
O vale do rio Nilo foi habitado desde o Paleolítico.
Com o passar do tempo, surgiram comunidades organizadas e independentes chamadas nomos. Os nomos se agruparam em dois reinos (do Norte e do Sul) e por volta de 3.200 a.C. foram todos unificados num só reino pelo faraó Menés. Como ele, começam as grandes dinastias (famílias reais que governaram o Egito por quase 3.000 anos).
Costuma-se dividir a História do Egito em três grandes períodos:
- Antigo Império: de 3200 a.C. até 2200 a.C.
- Médio Império: de 2200 a.C. a 1750 a.C.
- Novo Império: de 1580 a.C. a 1085 a.C.
No final do Médio Império houve uma grande imigração pacífica dos hebreus para o Egito, que acabaram sendo escravizados e finalmente liberados para voltarem a seu país de origem. Depois dos hebreus, os hicsos invadiram o Egito, aí se estabelecendo por duzentos anos. Introduziram os carros de guerra, aquilo que os egípcios desconheciam, e desde sua expulsão teve início o Novo Império.
Ao final do Novo Império, houve um enfraquecimento do Egito e sua decadência facilitou a invasão e o domínio por parte de vários povos, como persas, gregos, romanos e muçulmanos. Nos tempos modernos, o Egito foi dominado politicamente pelos franceses e ingleses, até se tornar independente em 1962, como país moderno com governo próprio.
Civilização Egípcia
Sociedade
No Egito, a sociedade se dividia em algumas camadas, cada uma com suas funções bem definidas. Na sociedade egípcia, a mulher tinha grande prestígio e autoridade.
A sociedade egípcia encontrava-se dividida em oito camadas:
- Faraó (o homem mais rico);
- Sacerdotes;
- Nobres;
- Escribas;
- Guerreiros;
- Mercadores e artesãos;
- Operários e camponeses;
- Escravos (a camada mais pobre).
Classes sociais
No topo da pirâmide vem o faraó, com poderes ilimitados. Isso porquê ele era visto como pessoa sagrada, divina, e aceito como filho de deus ou como o próprio deus. É o que se chama de governo teocrático, isto é, governo em nome de deus.
O faraó era um rei todo-poderoso, proprietário de todo o território. Os campos, os desertos, as minas, os rios, os homens, as mulheres, o gado e todos os animais – tudo lhe pertencia. Ele era ao mesmo tempo rei, juiz, sacerdote, tesoureiro, general. Era ele que decidia e dirigia tudo, mas, não podendo estar em todos os lugares, distribuía obrigações para centenas de funcionários que o auxiliavam na administração do Egito. A sagrada figura do faraó era elemento básico para a unidade de todo o Egito. O povo via no faraó a sua própria sobrevivência e a esperança na felicidade.
Os sacerdotes tinham enorme prestígio e poder, tanto espiritual como material, pois administrava as riquezas e os bens dos grandes e ricos templos. Eram também os sábios do Egito, guardadores do segredos das ciências e dos mistérios religiosos com seus inúmeros deuses.
A nobreza era formada por parentes do faraó, altos funcionários e ricos senhores de terras.
Os escribas, provenientes das famílias ricas e poderosas, aprendiam a ler e a escrever e se dedicavam a registrar, documentar e contabilizar documentos e atividades da vida no Egito.
Os soldados que, ao contrário dos nobres, não eram bem vistos pela sociedade. Executavam o trabalho "bruto" e eram responsáveis pelas punições aos cidadãos.
Os artesãos e os comerciantes. Os artesãos trabalhavam especialmente para os reis, para a nobreza e para os templos. Faziam belas peças de adorno, utensílios, estatuetas, máscaras funerárias. Travalhavam muito bem com madeira, cobre, bronze, ferro, ouro e marfim. Já os comerciantes se dedicavam ao comércio em nome dos reis e nobres ou em nome próprio, comprando, vendendo ou trocando produtos com outros povos, como cretenses, fenícios, povos da Somália, da Síria, da Núbia, entre tantos outros. O comércio forçou a construção de grandes barcos cargueiros.
Os camponeses formavam a maior parte da população. Os trabalhos dos campos eram organizados e controlados pelos funcionários do faraó, pois todas terras eram do governo. As enchentes, os trabalhos de irrigação, semeadura, colheita, armazenamento dos grãos originavam trabalhos pesados e mal remunerados. O pagamento geralmente era feito com uma pequena partes dos produtos colhidos a apenas o suficiente para sobreviverem. Viviam em cabanas humildes e vestiam-se de maneira muito simples. Os camponeses prestavam serviços também nas terras dos nobres e nos templos. O Egito era essencialmente agrícola, pois não sobrava terra e vegetação suficiente para criar muitos rebanhos. À custa da pobreza dos camponeses eram cultivados cevada, trigo, lentilhas, árvores frutíferas e videiras. Faziam pão, cerveja e vinho. O Nilo oferecia peixes em abundância.
Os escravos eram, na maioria, perseguidos entre os vencidos nas guerras. Foram duramente forçados ao trabalho nas grandes construções, como as pirâmides, por exemplo. Os escravos eram minoria.
Alguns faraós importantes
Inúmeros faraós governaram o Egito na sua longa história. Alguns merecem certo destaque.
- Menés (ou Narmer), por volta do ano 3000 a.C., uniu os reinos do Norte e do Sul em um só reino.
- Djoser (Zozer), em cujo reino apareceu a primeira grande construção com pedras no Egito, que foi a pirâmide de Djoser, em degraus.
- Quéops, Quéfren e Miquerinos ficaram famosos como faraós construtores das três maiores pirâmides do Egito, na planície de Gizé. A maior pirâmide é a de Quéops. Seu filho, Quéfren, sucedeu-o no trono e construiu também a sua pirâmide a alguns metros longe da do pai. Depois de Quéfren, governou Miquerinos, que mandou construir sua pirâmide perto das outras, mas um pouco menor.
- Amenófis IV, chamado também de "sacerdote do deus Sol", ficou conhecido como o faraó que unificou a religião no Egito, forçando o culto a uma só divindade, o Sol, chamado de Aton. Mudou seu nome de Amenófis (que significa "Amon é satisfeito") para Aquenaton (que significa "servidor de Aton"). Ganhou a a antipatia dos sacerdotes e do povo fanático e este, depois de sua morte, voltou aos antigos cultos.
- Tutancâmon, da família de Aquenaton, assumiu o reino ainda muito jovem (cinco anos de idade). Teve reino curto, pois morreu aos dezoito anos. Sua fama, porém, correu o mundo em nosso século, porque em 1924 foi encontrado pelo arqueólogo inglês Haward Carter, no Vale dos Reis, o seu riquíssimo sarcófago. O túmulo, intacto, ainda não tinha sido violado por ladrões e guardava valiosas riquezas, pois os objetos eram feitos de ouro, prata e pedras preciosas. Havia extraordinária riqueza nas máscaras mortuárias, sarcófagos, estátuas, móveis, jóias, vasos, carro mortuário, etc. Por essa descoberta arqueológica podemos ter uma idéia da grandiosidade, do luxo e da riqueza em que viviam os faraós, enquanto que a maioria da população, formada por camponeses, levava uma vida duríssima e pouca alimentação.
Religião e mitologia
Artigo principal: Mitologia egípcia.
Os egípcios foram um povo de profundas crenças religiosas. Isto teve importância na formação de sua civilização e organização social. Adotaram o politeísmo (crença em vários deuses). Desde os tempos mais antigos, os egípcios adoravam numerosos e estranhos deuses. Os primeiros foram animais e cada pessoa tinha o seu animal-deus que a protegia. Adoravam gatos, bois, serpentes, crocodilos, touros, chacais, gazelas, escaravelhos, etc.
Entre os animais adorados, o mais famoso foi o boi Ápis que, quando morria, provocava luto em todo o Egito e os sacerdotes procuravam nos campos um substituto fisicamente igual a este deus bovino. Acreditavam que um deus poderia se encarnar em um animal vivo.
O rio Nilo, com suas enchentes periódicas, e o vento quente do deserto, que destruía as colheitas, eram adorados como forças da natureza.
Os egípcios acreditavam na vida após a morte (ressureição), por isso prestavam culto aos mortos (cerimônias fúnebres). Cada localidade tinha seus próprios deuses, com diferentes aspectos, sendo alguns parte homem e parte animal (geralmente corpo de homem e cabeça de animal – antropomorfismo).
Deuses do Egito
- Rá: o deus Sol, que unido ao deus Amon (Amon-Rá) é a principal divindade do Egito.
- Nut: é a abóboda celeste, representada por uma mulher como os pés no Oriente e as mãos no Ocidente. Os astros viajam ao longo do seu corpo. Mãe de Rá (o Sol), ela o engole à noite e o faz renascer a cada manhã.
- Babuíno divino: testemunnho da viagem da barca solar.
- Barca solar de Rá, que numa viagem eterna, todos os dias o traz à Terra e à noite o leva de volta à eternidade.
- Ísis: esposa de Osíris, mãe de Hórus e deusa da vegetação, das águas (das enchentes do Nilo) e das sementes. As chuvas seriam as lágrimas de Ísis procurando seu marido. Osíris, que também é o Nilo.
- Néftis: irmã de Osíris e esposa de Set.
- Maat: deusa da justiça, da verdade, e do equilíbrio do universo.
- Hórus: o deus-falcão, filho de Osíris e de Ísis, também cultuado como o Sol nascente.
- Osíris: no seu hábito numiforme, é o deus dos mortos, da vegetação, da fecundidade. Também cultuado como Sol poente. Era ele que vinha buscar as almas que morriam para serem julgadas no seu tribunal (Tribunal de Osíris).
- Sekhemkhet: deusa com corpo de mulher e cabeça de leão. Deusa das guerras que, com sua força, foi encarregada de destruir os inimigos de Rá.
- Ptá: deus de Mênfis, considerado criador do mundo e protetor dos artesãos.
- Knum: deus pastor, deus das nascentes e das enchentes do Nilo.
- Anúbis: deus chacal, guardião dos túmulos, deus da ressurreição, mediador entre o céu e a Terra.
- Toth: deus da sabedoria, da magia, criou a escrita. É considerado o escriba divino e protetor das escribas.
- Hator: deusa que se apresenta com duas formas: com uma vaca tendo o Sol entre os chifres e como uma mulher com chifres e o Sol entre eles. Considerada a deusa da vaidade, da música, da alegria, dos prazeres e do amor.
- Set: grande inimigo de Osíris (o Nilo) e considerado como o vento quente vindo do deserto. Encarnação do mal, provocador de tempestades e protetor das armas.
- Amon (de Tebas): deus dos deuses do Egito, depois cultuado junto com Rá, com a denominação de Amon-Rá.
- Bes: espírito (ou demônio) feio e maléfico, que habitava as profundezas da terra.
- Tueris: deusa hipopótamo, protetora das gestantes.
- Bastet: deusa gata, que transmite para as pessoas as boas influências do deus Sol.
Cerimônias fúnebres
As múmias
Os egípicios acreditavam que o ser humano era formado por Ká (o corpo) e por Rá (a alma). Para eles, no momento da morte, a alma (Rá) deixava o corpo (Ká), mas ela podia continuar a viver no reino de Osíris ou de Amon-Rá. Isso seria possível somente se fosse conservado o corpo que devia sustentá-la, Daí vinha a importância de embalsamar ou mumificar o corpo para impedir que o mesmo se descompusesse. Para assegurar a sobrevivência da alma, caso a múmia fosse destruída, colocava-se no túmulo estatuetas do morto.
O túmulo era como uma habitação de um vivo, com móveis e provisões de alimentos. As pinturas das paredes representavam cenas do morto à mesma, na caça e na pesca. Eles acreditavam nos poderes mágicos dessas pinturas, pois achavam que a alma do morto se sentia feliz e serena ao contemplá-las. A alma do morto comparecia ao Tribunal de Osíris, onde era julgada por suas obras, para ver se podia ser admitida no reino de Osíris.
Túmulos
Os antigos egípcios também acreditavam que os túmulos eram moradias de eternidade. Para melhor proteger os corpos, as múmias eram colocadas em sarcófagos bem fechados. Os faraós, os nobres, os ricos e alguns sacerdotes construíam grandes túmulos de pedras para garantir a proteção dos corpos contra ladrões e profanadores, aqueles que invadem lugares sagrados ou câmaras funerárias. Eram feitos para garantir a longa espera no tempo até que a alma voltasse para a vida.
Assim foram construídas mastabas, pirâmides e hipogeus ricamente adorados.
Cultura
Durante a antigüidade, a cultura egípcia era o conjunto de manifestações culturais desenvolvidas no Antigo Egito.
Arquitetura
Além das pirâmides, mastabas, hipogeus e dos grandes templos, a arte egípcia manifestou-se também nos palácios, nas grandiosas colunas e obeliscos, nas esfinges, na estatuária e na decoração em baixo-relevo.
- Mastabas: As mastabas eram túmulos recobertos com lajes de pedra ou de tijolo especial. Tinham uma capela, a câmara do morto e outros compartimentos.
- Hipogeus: Túmulos escavados nas rochas, próximo às barrancas do Nilo. O hipogeu mais famoso foi Tutancâmon, situado no Vale dos Reis.
- Esfinge: As esfinges eram as guardiãs dos templos e das pirâmides. A esfinge diante da pirâmide de Quéfren tem cabeça de gente e corpo de leão.
- Obelisco: Monumento feito de uma só pedra em forma de agulha para marcar algum fato ou realização. Representa também um raio do Deus Sol.
es funerárias.
Pirâmides
No antigo Egito foram construídas centenas de pirâmides. As três grandes estão incluídas entre as Sete Maravilhas do Mundo antigo. Até hoje as pirâmides oferecem alguns mistérios para a nossa mente. Assim a moderna engenharia não conseguiu ainda explicar como foi, naquela época, conseguiu-se trazer blocos de pedras de 2 a 10 ou mais toneladas vindas de longe até o deserto onde se encontram as pirâmides. Mais complicado ainda se torna explicar como conseguiram carregar pedras sobre pedras até uma altura de 146 metros (a altura da grande pirâmide de Quéops). Outro segredo é explicar porquê as pirâmides foram construídas tendo seus lados rigorosamente voltados para os quatro pontos cardeais. Atualmente, milhares de pessoas no mundo inteiro acreditam num misterioso poder de concentração de energia e conservação dentro das pirâmides. Assim, não se estragariam determinadas coisas perecíveis que fossem colocadas no seu interior, na posição ocupada pela câmara do rei.
Para isso, com auxílio de uma bússola, é preciso orientar as bases de uma pirâmide na posição dos pontos cardeais. Acredita-se, também, em curas ou melhoras de saúde através do uso de uma pirâmide de cor azul (frequencia de cor com propriedades curativas) para isso, a pirâmide usada deve ter o mesmo ângulo da construção da pirâmide original, localizada no Egito e durante a aplicação no local doente, ela deve estar voltada para o norte geografico.
Templos
Os templos egípcios não eram como as igrejas de hoje. Eram grandiosos, de dimensões enormes, com um portão imponente e amplos pátios abertos. Eram sustentados por gigantescas colunas. Ao fundo ficava a estátua do deus local e nas laterais um pequeno número de outros deuses. Nas fachadas, estátuas colossais dos faraós que mandaram construir os templos. No interior dos templos viviam numerosos sacerdotes, com cabeça raspada e vestidos com um túnica.
Do antigo Egito sobraram as ruínas de dois grandiosos templos, os de Lúxor e Karnak.
As ciências
Os antigos egípcios não foram tão grandes cientistas como arquitetos. Nas ciências, desenvolveram a matemática, a astronomia, a medicina e a engenharia. Dividiram o ano em 365, com 12 meses com 30 dias e três semanas com dez dias. Utilizavam relógios solares, estelares e relógios d'água para medidias cronológicas.
Na matemática, desenvolveram muito a geometria, devido à necessidades de medir as terras rurais e erguer as grandes construções. Na medicina, possuiam médicos especializados em várias doenças e faziam cirurgias, utilizando inclusive um tipo de anestésico. Todavia, a medicina egípcia, como na antigüidade em geral, era a mais magia do que ciência, pois sempre vinha acompanha de rituais mágicos e invocações aos deuses.
Foram especialistas no processo de fazer a mumificação corpos através de recursos de embalsamento que conservavam inúmeros corpos até hoje. Heródoto, que era um historiador grego muito famoso, nos conta como era feita mumificação:
"Tiram-lhe primeiro o cérebro, com ferro recurvado, que introduzem nas narinas e com o auxílio de drogas, que injetam na cabeça. Fazem em seguida uma incisão no ventre, com uma pedra cortante da Etiópia. Tiram por esta abertura os intestinos, que são lavados, passados por vinho de palma e por aromas, enchem, seguidamente, o ventre de mirra (resina de uma árvore utilizada como incenso ou perfume), canela e outros perfumes, depois o costuram cuidadosamente. Terminado isto, salgam o corpo e cobrem-no de natrão (carbonato de sódio natural) durante setenta dias. Acabado este prazo, lavam o corpo e o envolvem inteiramente em faixas de linho". Depois colocavam o corpo no sarcófago. Os pobres possuíam processos de mumificação muito mais simples.
Língua e literaturas
Os egípcios foram um dos primeiros povos do mundo a utilizar a escrita. Desenvolveram três variedades de alfabeto:
- o alfabeto hieróglifo, considerada escrita sagrada;
- o alfabeto hierático, mas simples, utilizada pela nobreza e pelos sacerdotes;
- o alfabeto demótico, um tipo de escrita popular, adotado pelas classes mais pobres da sociedade egípcia.
Durante a campanha de Napoleão no Egito, foi trazida para França pelo arqueologista francês Jean François Champollion, no ano de 1799, uma pedra da cidade de Roseta, contendo inscrição em três tipos de alfabeto: hieróglifo, grego e demótico. Em 1822, Champolion, fazer comparação do texto grego com o mesmo assunto em hieróglifos, conseguiu decifrar o alfabeto egípcio, dando uma contribuição para os estudos da civilização egípcia.
Os egípcios escreviam principalmente numa planta denominada papiro, encontrada em abundância às margens do rio Nilo. O miolo do papiro era cortado e as partes eram ligadas umas com as outras e depois prensadas, formando assim rolos que inclusive eram exportados para os povos vizinhos.
Os egípcios deixaram vários livros escritos, a maioria de temas ligados à religião, como o famoso Livro dos mortos.
Música
Pelos documentos encontrados, como fragmentos de músicas e instrumentos, a música teria iniciado na Mesopotâmia e no Egito antigo. De fato, em 1950 os arqueólogos encontraram uma canção de origem assíria datando de 4000 a.C., gravada numa tabuleta de argila.
Os egípcios usavam muito a música em todas as ocasiões religiosas ou da sociedade, como casamentos, festas, canções de guerra, de vitória, ou para expressar sentimentos de melancolia e de luto. Tocavam lira, cítara, oboé, címbalo, harpa e instrumentos com caixa de ressonância. Era comum as mulheres ricas serem excelentes cantoras. Junto com a música, desenvolveu-se a dança e a coreografia, Os mesopotâmios e os egípcios já conseguiam escrever a música de sinais próprios para a sua execução pública.
Influência da civilização egípcia com outros povos
Os egípcios tiveram grande influência no desenvolvimento de vários povos limítrofes ou longínquos. Muitos eruditos de outros povos da antigüidade iam buscar seus conhecimentos no Egito, onde trabalhavam como estagiários. Inventaram várias ciências tais como a geometria, que depois passou a ser seguida pelos gregos e por outros povos e países.
Na medicina, a influência egípcia foi quase total. De fato, ultrapassaram todos os povos antigos nos conhecimentos médicos, tentando procurar as soluções para todas as doenças existentes na antigüidade oriental.
Quanto à religião, seus deuses e suas crenças chegaram a se espalhar por toda a parte. As pirâmides impressionaram o mundo, e a sua crença na imortalidade da alma foi considerada um avanço na espiritualidade.
Quanto à escrita, foram pioneiros na arte de escrever, pois sinais e marcas chegaram à Fenícia, onde foram simplificados, resultando no alfabeto que temos nos dias de hoje. Grande contribuição às civilizações foi o papiro que o Egito forneceu a todo o mundo antigo para escrever seus livros, construir o conteúdo de suas bibliotecas e fornecer material de estudos para os seus sábios.


