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  A Revolução de 1930 em Sergipe

 

 

 

             Os anos que antecedem a revolução 1930 em Sergipe e que coincidem com os primeiros anos do regime republicano têm como principal característica à dominação de frações dominantes e oriundas do patronato rural composto  principalmente  pelos grandes produtores de açúcar, seguido de proprietários rurais oriundos da criação de gado ou  cultura de exportação como o algodão. A primeira fase republicana é marcada pelo domínio da facção liderada pelo Monsenhor Olímpio Campos. Após a morte de Olímpio Campos o controle do poder  é permutado entre lideranças tradicionais,  como o General José Siqueira Menezes (1911-1914) , Oliveira Valadão (1914-1918)  Coronel Pereira Lobo(1918-1922),  Graco Cardoso (1922-1926) e  Manoel Correia Dantas (1927-1930). Essa fase é marcada pela hegemonia do das classes patronais da onde inexiste praticamente a organização de classes operárias e subalternas. Trata-se de um período marcado pelo autoritarismo e pelo coronelismo conforme cita Ibarê Dantas "Os grupos oligárquicos que controlava a sociedade política sob a chefia de religiosos, civis e militares  enquadrava-se na ideologia e nos interesses materiais da classe dominante, organizando-a sob a hegemonia da fração ligada ao açúcar". (Dantas. pág. 20). Apesar do predomínio das oligarquias, Sergipe ainda foi palco de alguns movimentos reformista, como: a Reação Republicana, o Movimento Tenentista em 1924,  além da campanha da Aliança Liberal  em 1926.

 

             A República se impõe como regime, coincidindo exatamente com os anseios e mentalidade dos grandes cafeicultores do sudeste brasileiro. Logo, a produção cafeeira tornou-se o carro-chefe da economia da primeira república, relegando o açúcar ao segundo plano. Nesse cenário a economia sergipana que é predominantemente açucareira permanece praticamente inalterada. "A nível nacional  o complexo exportador cafeeiro  encontra nesse momento termo do seu predomínio, no âmbito da estrutura econômica do Estado de Sergipe, os setores fundamentais continuavam com as mesmas tendências que vinha desenvolvendo na Primeira República. É possível verificar que a produção açucareira permanece como a base econômica do Estado de Sergipe. No entanto é possível verificaram as mudanças no setor produtivo como: a substituição dos engenhos bangüês por usinas mecanizadas. A economia açucareira é vitimada por inúmeras crises, principalmente pela ocorrência de secas, como também,  a concorrência com outros estados e a exemplo de São Paulo e Rio de Janeiro, que após a criação do Instituto do Açúcar e do Álcool, no governo de Getúlio, passa a receber maior atenção e investimentos do governo, relegando o nordeste a segundo plano.ano.

              Outras culturas que merece destaque na economia sergipana desse período e a produção da cultura algodoeira e a pecuária. A produção algodoeira, além de se constituir em matéria-prima para as fábricas têxteis, existentes no Estado, era exportado tanto em forma de pluma como através de subprodutos tais como farelo de caroço e óleo. A produção de tecidos nesse período representava a principal atividade econômica do estado fora do setor rural. A produção açucareira entrará em declínio pelos anos 40. Enquanto isso, a ascensão da pecuária manifestar-se-á duradoura e progressiva.

 

As Interventorias

 

             Com a revolução de 1930, chegam ao poder do Estado os militares como delegados do poder central. Após governos provisórios efêmeros, o assume o governo Augusto Maynard Gomes. O tenente Maynard era uma figura revolucionária de maior destaque em Sergipe. Compôs uma junta governativa com participantes do movimento tenentista em Sergipe. Parte das facções dominantes conseguiram representar-se junto ao aparelho do Estado, com exceção dos representantes da facção açucareira. A administração de Maynard, se pautada sobre discurso da neutralidade política, tentando se esquivar das disputas partidárias. A interventoria favorecia os setores fundamentais da economia, demonstrando que não se pretendia nenhum modelo econômico alternativo, embora do ponto de vista político seja possível observar algumas tendências a modificações da estrutura do poder. No aspecto político é possível verificar o avanço, quanto à organização da classe trabalhadora. Liberdade de organização em sindicatos e federações, além de inúmeros movimentos grevistas. No entanto o apoio da  interventorias, visava implementar avanços na legislação trabalhista, implementadas pela política de Vargas. Apesar de avançar as relações entre capital e trabalho, garantindo direitos dos trabalhadores, as políticas sociais  implementadas no pós 30, visavam modernizar as relações capital-trabalho, sendo totalmente desvinculados de uma visão socialista. Nesse sentido Maynard reproduz em Sergipe a máquina de Getúlio Vargas, "Um  governo pai dos pobres". Tratava-se de um governo que apoiava a organização dos trabalhadores dentro da ordem, isto é, uma proteção controlada.

 

             Maynard,  ampliou a sua base de apoio político, através do congresso das municipalidades, aproximando políticos e setores da sociedade sergipana ao governo. Esse movimento que teve como principal articulador,  Carvalho Neto, servia para sentir a receptividade e as reações das tendências reformistas do governo.

 

             Sob a eminência de disputas eleitorais, começa a ocorrer à aproximação de Maynard com o Leandro Maciel. Este, oriundo das classes dominantes, se distancia do grupo dos decaídos (artigos oligarcas), e por ter uma relação de parentesco com Maynard (primo),se aproxima deste e articula uma chapa para concorrer às futuras eleições. As frações da classe dominante organizaram então Partido dos Usineiros. A  disputa eleitoral se processa entre as legendas da Liberdade e Civismo (apoiada pela interventoria) e da União Republicana de Sergipe (dos usineiros), além do Partido Social Progressista. Apesar da campanha aberta da igreja, em favor dos grupos oligárquicos a chapa da  interventoria, foi a vitoriosa. A vitória da interventoria, com apoio de Leandro Maciel sobre a agremiação dos Usineiros, representava apenas uma fase do confronto. A partir daí, a polarização entre as os dois grupos tenderia crescer.

 

             Quando o trabalho da constituinte estava em plena execução, Leandro Maciel, se afasta da interventoria, criando um novo partido denominado Partido Social Democrático de Sergipe. Pragmático, faz uma coalizão com a União Republicana de Sergipe e lança como candidato ao Governo do Estado o capitão e médico Eronildes Ferreira de Carvalho e o seu nome como candidato ao Senado Federal. A interventoria tenta organizar uma chapa para se contrapor, denominada de Partido Republicano de Sergipe, foi em vão. Decorrido o pleito, os deputados contrários a interventoria são eleitos em maioria, sendo assegurado os mandatos de Eronildes Carvalho e Leandro Maciel. Apesar da tentativa de anulação do pleito, Maynard é obrigado a aceitar a derrota.

 

             Com o novo governo de Eronildes de Carvalho volta à cena política as oligarquias ligadas ao setor açucareiro. O governo de Eronildes de Carvalho torna-se altamente repressivo. A sua administração coincide com período do levante comunista ocorrido em 1935, conhecido como Intentona Comunista. A partir desse momento sobre a Lei de Segurança Nacional o governo de Eronildes de Carvalho encontra espaço para reprimir toda e qualquer organização de trabalhadores, bem como inibe através da coação a organização de uma oposição seu governo. Mandar fechar jornais e entidades representativas, e governa praticamente sem oposição. Nesse período o governo de Eronildes de Carvalho implementa um governo de apoio às facções dominantes,  sucateando a máquina do estado, como podemos atestar pelo grifo de Ibarê Dantas: “Não há dúvida de que o regime autoritário, desprovido de fiscalização efetiva, se torna a campo propício à corrupção e os outros desmandos administrativos. É por comprovação notória de abuso de poder e corrupção que Eronildes Ferreira de Carvalho será exonerado”.

 

             Após a exoneração de Eronildes Carvalho é feita a indicação do capitão Milton Azevedo como opção conciliatória. Vargas temia nomear como governo a pessoa de Augusto Maynard, contrariando diretamente a o governador exonerado. No entanto governo de Milton Azevedo, se constitui um governo de transição para a passagem do poder a Maynard. Aliás a composição dos cargos neste governo era de pessoas ligadas diretamente ao grupo de Maynard. Em  1942, Augusto Maynard retoma o Governo do Estado. Assim que assume Maynard tenta restabelecer as finanças do governo. Ao mesmo tempo permite uma abertura, mesmo que vigiada, das organizações civis e operárias. Em comparação a gestão anterior a postura foi outra se comprometendo com as classes dominantes. Diferencia-se do primeiro período onde possuía uma postura revolucionária.

 

 

Conclusão

 

              A fase política correspondente a pós-revolução de 1930, proporcionou a modernização do estado, devido ao fortalecimento de suas instituições e redefinição de seu papel. Autonomia experimentada pelo rompimento com as oligarquias locais reacionárias, modernizou e atualizou as instituições burguesas, ordenando as relações entre capital e trabalho. Nesse novo ordenamento a classe trabalhadora, teve avanços e retrocessos. Obteve uma legislação trabalhista e uma organização sindical  tutelada pelo estado. Observa-se uma modernização nas relações trabalhistas, controlada pelo Estado a fim de modificar  sem transformar as estruturas ou ameaçar a ordem burguesa.

 

 

 
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