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Nordeste Insurgente Avançar >>>
   

       O nordeste brasileiro é sem dúvida, dentre as várias regiões brasileiras, a que apresenta as maiores cicatrizes das mazelas ocasionadas pela exploração colonial, pela política mercantilista e pela implantação do capitalismo vigente. Base da nossa colonização, traz em si uma série de elementos construídos historicamente, aliados aos antigos e perpetuados problemas climáticos, que explicam hoje o atraso da região, como também,  a existência do latifúndio, da política clientelista e da pobreza generalizada. No entanto não se trata o povo nordestino de um povo covarde, pois durante séculos o nordeste foi palco de inúmeros movimentos revolucionários e de resistência a toda e qualquer forma de opressão. No entanto se estes não lograram êxito foi graças à repressão violenta, que manchou e ainda mancha o solo nordestino de sangue. “Na longa crise que passou o Nordeste no século XIX, estes grupos (artesões, mestres-carapinas, mestres-de-obras, profissionais liberais, etc), não se limitaram a esperar pacificamente pela solução de seus problemas. Reagiram ao seu modo, a curto ou em longo prazo”.(Monteiro, pág.13)

              O presente texto, visa analisar os movimentos de insurreições ocorridos no nordeste entre os anos de 1850 e 1890, usando como base o texto de Hamilton de Matos Monteiro. Antes porém é preciso fazer a distinção entre revolução e insurreição. “a diferença entre revolução e insurreição consiste que a primeira tem como objetivo derrubar o sistema existente para substituí-lo por outro que seja a expressão das transformações sociais ocorridas. Insurreição, por outro lado, constitui-se em um estágio anterior à revolução e serve para demonstrar que o antigo equilíbrio social foi rompido. Os movimentos insurrecionais podem ser dirigidos para atingir objetivos específicos, localizados e imediatos tais como uma lei, a impostos considerados extorsivos, à alta de preços, etc”. (Monteiro, pág.30).

              Os fatores que motivaram os vários movimentos de insurreição no Nordeste do Brasil, estão ligados a antiga estrutura fundiária que, entre os anos de 1850 e 1890,  está em acentuada decadência econômica. Tal decadência está relacionada com a falência da produção açucareira que com a expulsão dos holandeses e com a produção das Antilhas começam a enfraquecer economicamente. Aliado a esse fator a escassez de mão-de-obra negra provoca a desestruturação da produção, pelo fato de deixá-la mais onerosa e menos competitiva. O deslocamento da mão-de-obra negra para a região sudeste, e a exploração da mão-de-obra de homens livres assalariados, construirão os elementos conjunturais das várias revoltas nordestinas. “Em síntese, era esta a situação do Nordeste. Perda de mercados tradicionais, queda de preços dos artigos de exportação, esgotamento do solo, rendimento decrescente do setor agro-exportador e uma massa progressivamente aumentada de homens livres vivendo miseravelmente”. (Monteiro, pág.28) pág.28) pág.28) pág.28)

 

              O “Ronco da abelha” (1851-1852)

 

              Ainda no calor da Revolução Praieira (1848-1849), vários revoltosos remanescentes permaneceram, defendendo as mesmas bandeiras. Após a prisão de Pedro Ivo, um dos lideres do movimento, criou-se um clima tenso em Pernambuco e em várias regiões de províncias nordestinas. “Foi neste ambiente pré-revolucionário que, nos meses de dezembro de 1851 e janeiro de 1852, as províncias de Pernambuco, Paraíba, Alagoas, com maior intensidade, e as de Ceará e de Sergipe, de forma mais amena, foram assoladas por movimentos armados de oposição aos decretos 797 e 798, de 18 de Junho de 1851, que instituíam, respectivamente, o Censo Geral do Império e o Registro Civil dos Nascimentos e Óbitos”. (Monteiro, pág,36) Os movimento tem como pano de fundo a crise econômica e social. O fim do tráfico negreiro em 1850, e a crise da mão-de-obra nos engenhos criaram no imaginário da população a possibilidade de a determinação  dos decretos serem utilizados como um instrumento para submeter os mais pobres e mestiços à escravidão. Por traz do levante repousava o interesse das elites de pressionar o governo quanto a questão da mão-de-obra, a fim de suspender a restrição ao tráfico negreiro. No entanto mediante a iminente a falta de controle da situação  e as elites e o governo se encarregaram de reprimir o levante.

 

                O “Quebra-quilos” (1874-1875)

 

              “Nos últimos meses de 1874 e princípios de janeiro de 1875, quatro províncias do Nordeste – Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Alagoas – foram assoladas por uma nova rebelião que abalou as principais comarcas da Zona da Mata e Agreste de Pernambuco e Paraíba e várias localidades de Alagoas e Rio Grande do Norte”. (Monteiro, pág.46) A revolta se deu devido à cobrança de impostos e taxas sobre os produtos básicos negociados pela população nas feiras e estabelecimentos de venda. O objetivo dos governos Provinciais eram aumentar suas arrecadações para compensar as perdas de receitas provocadas pela queda de tributos devido à decadência do comércio exportador. Os impostos incidiam sobre produtos alimentícios como carne seca e farinha o que causou imensa insatisfação ao povo, pois o aumento dos preços, recaía exatamente sobre a classe mais pobre. O povo nas feiras quebrava os pesos, como uma afronta ao sistema de pesos e medidas (sistema métrico decimal). “A revolta do Quebra-quilos, na verdade, tem suas origens na crise por que passava a economia nordestina; o problema dos impostos e a nova lei do recrutamento serviram para acionar a sedição”. (Monteiro, pág.52)

 

              A “Guerra das mulheres” (1875-1876)

 

              A revolta decorre da aplicação da Lei nº 2556, de 26 de setembro de 1874, que alterou a forma do recrutamento de soldados para o Exercito e a Armada. Durante anos posteriores a Lei que passou a vigorar, o recrutamento era utilizado pelos políticos locais como uma forma de reprimir e perseguir adversários. A nova Lei de recrutamento causa o medo de a mesma ser utilizada para impor aos recrutados a escravidão. As convocações eram afixadas em locais públicos e igrejas. A revolta se deu quando várias mulheres invadiram, igrejas e rasgando as convocações.

 

                        As revoltas urbanas

 

              Nas revoltas urbanas nas cidades nordestinas, como por exemplo a Salvador, refletem a crise que está ocorrendo no campo. “A população, em que pese outras variáveis que entraram no acirramento dos ânimos, revoltava-se contra uma situação que considerava insustentável - a alta do custo de vida, depreciação de suas condições de vida – mas que, além de ser um problema conjuntural, refletia as contradições estruturais daquela região.

              Revoltas como a “Pano do teatro São João” (1854), “Carne sem osso, farinha sem caroço”(1858) e a “Revolta de 1878”, tiveram, como motivos: a queda dos preços dos artigos de exportação e perda de mercados tradicionais no exterior, redução das áreas destinadas a produção de gêneros alimentícios para o consumo local, precariedade do abastecimento dos centros-urbanos, monopolização dos principais gêneros de consumo popular, provocando elevação artificial dos preços e problemas climáticos que prejudicaram  a produção e abastecimento.

 

 

Bibliografia

 

 Monteiro, Hamilton de Mattos, in Nordeste Insurgente - (1850-1890),

           Editora Brasiliense, 2ª edição, São Paulo, 1981.